domingo, 27 de junho de 2010

Calado

De dia e de noite,
te quero à tarde
na penumbra, no silêncio
por toda parte.

No teu lado
te olho de lado
se olho de frente
e você toda sorridente
as minhas palavras saem sorrateiramente
completamente

Por alguns dias
por algumas horas
por qualquer momento
te vejo
e já te amo
simples
sentimento calado

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Concretando o tédio

Tédio
Tédio Tédio Tédio
Tédio Tédio Tédio Tédio Tédio
Tédio Tédio Tédio Tédio Tédio Tédio Tédio
Tédio Tédio Tédio Tédio Tédio Tédio Tédio Tédio Tédio
Vida Vida Vida Vida Vida Vida Vida Vida Vida Vida Vida Vida Vida

A base do tédio é nossa irrisória existência.

Mãos em obra

Fábricas corruptas, ilusivas
tão abusivas, sempre tão favorecidas
e em volta
pálpebras caídas, todas sentidas
quantas vidas quase vividas
quanta gente sem ter o que viver – que coisa vazia!

Maquinário infértil
a soma diminuta
tão pequena, tão puta, tão feia, tão suja.

E o homem de terno e gravata se aproxima e esbraveja:
Caiba em teu próprio lugar pobre criatura não-vivida! Não se esqueça que sua vida é minha. Deixe as mãos fazerem o que é devido, deixe comigo o conforto por ti outrora vivido!

Procuro

Hei de mergulhar no mar de letras
o barco invisível a procura de um recanto
para os invisíveis,
recanto para qualquer forma de vida apaixonada pela vida

Procuro-o com vontade
Sigo, pauso, quase volto...
prossigo!

Para no meio do caminho
ou me mato ou essa intrigante paixão faz isso por mim.

Doente

A doença cria dor
a dor cria ódio
o ódio mata a ilusão
a ilusão cria o amor
o amor
ah! - amor-
por sua vez
sempre, continuamente
cria a doença.

terça-feira, 2 de março de 2010

Continuum

Simplesmente renego o que me foi negado
subitamente relevo o que me levou fisgado
encarecidamente revelo o que há de errado
estranhamente recrio o que me deixou tão esgotado.

Mesmo tendo em vista que vi somente de lado
sem um propósito ou sequer respeito à imagem alheia
afirmo o que realmente sou
tão egoísta,
mais uma mistura de condescendência e intransigência

Subitamente peço o que me havia levado
estranhamente revejo tudo que teria negligenciado
simplesmente peco, digo o que outrora havia calado
e encarecidamente paro, calo, pois daí então sei o que possivelmente teria errado.

Meus devaneios continuam aí
em seu contínuo retorno
em seu contínuo atraso
enquanto isso, refaço.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Desconversa

- Vem pra cá. – diz o mudo
- Vá pra lá! – grita o cego
- Me escuta ? - sussurra o surdo

E essa desconversa desenrola-se de forma tão cativante que até o engravatado para e presta atenção. Quem diria que uma tríplice tão sem sentido conseguiria comover um homem tão coroado, refinado.